Bichinhos de navegador: o que aconteceu ao animalzinho do teu ecrã
Em 1989, um programa chamado Neko pôs um gato no ecrã. Perseguia o cursor, apanhava-o e adormecia em cima dele. Escrito para o NEC PC-9801 e, desde então, portado para Mac, X11, Windows e quase tudo o que tem ecrã — normalmente por gente a quem ninguém pediu nada.
A era dos bichinhos de ambiente de trabalho
Ao Neko seguiu-se uma longa cauda da mesma ideia: um animalzinho que vive por cima do teu trabalho, reage ao que fazes e não tem função nenhuma. Mascotes Shimeji a trepar pelas bordas das janelas. Assistentes de escritório que ninguém queria. Tudo decoração, e tudo inofensivo.
Depois, no final dos anos noventa, a ideia deu a sua pior volta. O BonziBuddy e os parentes dele eram bichinho à frente e adware por trás, e ensinaram a uma geração inteira que aquela coisa roxa e simpática no ecrã lhes estava a ler o e-mail. Essa associação é o motivo pelo qual uma extensão decorativa hoje tem de começar por explicar a lista de permissões.
O que o navegador muda
Um bichinho de ambiente de trabalho tem um ecrã inteiro para vaguear e nenhuma ideia do que estás a fazer. Um bichinho de navegador tem um palco muito mais pequeno e informação muito melhor: sabe o que estás a ler, a que velocidade, e o instante em que paraste.
Isso transforma a decoração num instrumento. A posição do scrolldog ao longo da borda da janela é o quanto desceste na página. O passo dele é a tua velocidade de scroll. Senta-se quando a página fica quieta e enrola-se a dormir ao fim de dois minutos — um sinal a sério sobre o separador, não uma animação num temporizador.
As regras que um bichinho de navegador tem de seguir
Desenha por cima de páginas que não escreveu, e isso define as condições: nunca tocar no layout da página, nunca fazer um pedido de rede a partir da página que estás a ler, e oferecer um botão que o tire de todos os separadores abertos de uma vez. O Neko podia ir abaixo a máquina e continuava a ser uma curiosidade. Uma extensão que faz qualquer site engasgar está desinstalada antes do almoço.
É um gato, às vezes. Um deles é um pato, um é um cavalo com um problema e um é uma barata. Na maior parte das vezes é um cão.
Conhece-os